
Existe um peso real numa geração que acreditou que seria diferente.
Se você faz parte dessa geração de Millennials provavelmente irá ler as próximas linhas cantando, afinal você cresceu ouvindo: “tudo o que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar…” ou então: “eu tenho a força e sou invencível.”
Um dia te disseram que se você trabalhasse com o que ama, não trabalharia um único dia da sua vida. Disseram que experiências valem mais que posses e que bastava ter uma boa ideia pra se tornar bilionário. Mas agora, você chegou na fase de se perguntar: “por que deu errado?”
Nós somos uma geração cheia de vícios. Não somos viciados apenas em café, mas desenvolvemos vícios muito mais crônicos.
- Vício em novidades: Novas tecnologias surgiram em escalas gigantescas nessa geração. Saímos do vinil à apps de música, da videolocadora ao streaming, mudanças rápidas na sociedade, startups surgindo como pop ups a todo instante, a cobrança de sermos dirruptivos… Mas isso cobra o preço da ansiedade crônica, sempre achando que estamos ficando para trás.
- Vício em comparação: Redes sociais explodiram na nossa vida adulta, gerando uma comparação constante, em tempo real, com nossos pares e até com a geração anterior (que tinha estabilidade financeira entre os 30/40 anos). Resultado disso? Frustração por não “estar à altura”.
- Vício em validação: Curtidas, comentários, engajamentos. Nós fomos a primeira geração a experimentar a dopamina das redes sociais no auge da formação da identidade adulta e isso nos fez viciados em dopamina “barata”. Desaprendemos a lidar com o desconforto e buscamos cada vez maiores de doses de dopamina, porém, o nosso cérebro funciona em um sistema de equilíbrio e a cada descarga de dopamina, vem acompanhada de um “rebote” de dor, criando ciclos de compulsão.
- Vício em produtividade: Crescemos ouvindo frases como “faça o que ama e nunca mais trabalhará”, isso criou uma busca incessante por sentido no trabalho, levando muitos ao burnout.
- Vício em autoaperfeiçoamento: Cursos, terapias, livros de desenvolvimento pessoal, podcasts. Esse é um lado positivo da nossa geração, mas, em contrapartida, muitos de nós sente também um peso de nunca se sentir “bom o suficiente”. Buscamos freneticamente o bem- estar, e nunca o encontramos, porque o verdadeiro bem-estar não vem do excesso de estímulos, mas da capacidade de tolerar o desconforto e encontrar sentido no que é simples.
Você testou fazer diferente da geração anterior. Estudou mais, empreendeu, arriscou, buscou liberdade, e ainda assim não encontrou a tão sonhada estabilidade. Veio o burnout, a ansiedade, a estagnação. A custo de quê? Somos a geração que acreditou no novo, mas que precisa revisitar velhos valores num mundo que não é nada tradicional. Não é só você que sente essa pressão. Esse vazio tem nome: sobrecarga mental. No Claramente em Pausa, a gente abre um espaço seguro pra você respirar, refletir e cuidar de si — antes que sua mente grite mais alto.
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